sábado, decembro 22, 2012

Repugnáncia à Igualdade, ... Por Lupe Ces


Por Lupe Ces [*]
22.12.2012

Matilde Herrero Barcia, foi finalmente assassinada tras sofrer case umha década de situaçons de violência que denuncias, detençons e ordes de afastamento, nom puiderom evitar. Matilde foi abatida quando saia do trabalho, aguardada coma umha presa polo seu caçador.

Atrás ficaram arrependimentos envoltos em promessas nom cumpridas; atrás ficaram perdons construídos em trampas de fracassos, responsabilidades, compaixom e autoculpa.

O machismo mata. É mesmo tam destrutivo, que  mata também ao machista. Na sociedade de “eres o que possuis”, “tanto tens, tanto vales”, muitas mulheres som simbolicamente, e também fisicamente, convertidas numha propriedade mais. Até tal punto, o machismo construí o pensamento e a acçom de muitos homens, que a sua auto-estima e estabilidade emocional, depende única e exclusivamente da continuidade dessa possessom.

Mal-ensina-se-nos a amar, a enamorar-nos... e somos analfabetas e analfabetos na gestom do desamor. No espelho no que temos que olhar-nos, aparece a historia feliz onde deves comer perdizes. A historia onde todo é para sempre. E seguimos a confundir romanticismo com tenrura, ciumes com amor, controlo com cuidado.

O feminismo sabe desde hai tempo, que este tempo de Natal é de alto risco para as mulheres. Nom só polo número de assassinadas, também porque os valores machistas, associados a crenças religiosas, imponhem o modelo de família tradicional na maneira de viver estas datas. Umhas festas onde a convivência forçada, o trabalho extra, e o rol de facilitadoras que se supom às mulheres, som um caminho de poucos dias, mas de custosa peagem.

Neste tempo, onde as cores grises volvem a tingir a realidade social que puxava por nascer multicolor, nom podemos instalar-nos ante o assassinato de mulheres, com a resignaçom que nasce da ignoráncia ou da análise errada das causas do acontecido. O privado é político. Nada do que ao nosso redor sucede,  é alheo às decisons colectivas ou às decisons impostas. Cumpre sinalar aos culpáveis, cumpre despejar o caminho de obstáculos, cumpre ailhar ao machismo organizado nas instáncias políticas, religiosas e sociais. Essas instáncias que vomitam sobre a vida das pessoas leis Wert ou privatizam a Justiça. Se nos quere vender que a soluçom à pobreza está na caridade, e nom no reparto da riqueza. Do mesmo jeito que  se nos quere vender também que a erradicaçom da violência machista descansa só na vitimizaçom das mulheres que a sofrem, e nom no exercício pleno, na vida de todas as mulheres e nenas, do direito à Igualdade. Esse direito, ao que o poder financeiro, a Igreja católica e o Partido Popular sintem tanta repugnáncia.


[*] Lupe Ces Rioboo -Caranza Ferrol 1953, é mestra, activista social, integrante da Marcha Mundial das Mulleres. Forma parte do Colectivo Ártabra 21.

Blogue persoal: Caranza free opiniom

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1 comentarios so far

Concordo con todo o exposto máis, como o machismo é unha cultura, reaccionaria, pero cultura ao fin e ao cabo e a superar, boto en falta a denuncia de que tamén hai moitas mulleres que a practican e sosteñen. Todas as que van á misa, por exemplo. Quero crer que na parte final do teu artigo, recolhes isto, pero non me queda claro. Grazas


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