sexta-feira, junho 30, 2017

Avaliaçom da moçom municipal pola recuperaçom da ‘Porta Nova’ - Fundaçom Artábria


Avaliaçom da moçom municipal pola recuperaçom da ‘Porta Nova’


A Fundaçom Artábria quer por esta via apresentar umha pequena avaliaçom da iniciativa que levou hoje mesmo ao Pleno da Cámara Municipal de Ferrol, através do BNG, pola recuperaçom do nome da ‘Porta Nova’ em lugar do imposto em 1953 pola ditadura franquista.

Começamos por lembrar que o principal objetivo desta iniciativa, como tínhamos expressado, era socializar a necessidade de recuperarmos todos os sinais de identidade usurpados polo franquismo na nossa cidade.

Tendo em conta que a iniciativa foi apresentada “tecnicamente” por um só representante (o do BNG) e que o PSOE, o PP e Ciudadanos figérom “campanha” nos últimos dias contra a mesma, consideramos o resultado mais do que satisfatório, por vários motivos:

1. Conseguimos um importante incremento de apoios para o “SI”: Ferrol em Comum e a representante nom adscrita, mais o voto do BNG, somárom um total 9 votos afirmativos, contra os 11 contrários (PP-Ciudadanos) e as 3 abstençons (PSOE).

2. Esse resultado reflete bem o desenvolvimento de um debate social em que quigemos sublinhar o necessário exercício de dignidade democrática, recuperando o nosso património histórico-cultural contra as arbitrárias imposiçons da ditadura franquista.

3. A representante do grupo extremista ‘Ciudadanos’, acusando-nos sem nengum fundamento de fomentar “o ódio contra Espanha”, deu pé a que alguns “incontrolados” atacassem o mural comemorativo dos 100 anos das Irmandades da Fala. Desse modo, ficou à vista de todos e todas quem fomenta realmente o ódio.

4. Tal como indicou no seu discurso no Pleno o nosso representante, o companheiro Bruno Lopes Teixeiro, a Fundaçom Artábria move-se por sentimentos de amor à Galiza, à cultura e à língua deste país, nom por ódio contra nengum outro povo do mundo.

5. Aceitamos com total desportividade o resultado da votaçom de hoje, o que nom impedirá que continuemos socialmente a trabalhar para tornar maioritária esta proposta. Tanto nas instituiçons como nas ruas, continuaremos a exigir a recuperaçom plena dos direitos lingüísticos, culturais e nacionais da Galiza, assi como a total deslegitimaçom da ditadura franquista e dos seus herdeiros políticos.

Finalmente, agradecemos o apoio do BNG, de FeC e de Ester Leira à nossa moçom municipal.

A luita por um Ferrol digno, galego e antifascista continua.

Ferrol, 29 de junho de 2017


Intervençom do nosso companheiro Bruno Lopes Teixeiro no Pleno Municipal e duas imagens de hemeroteca ao respeito do nome da atual Praça de Espanha.

Bom dia,

Concelheiras, concelheiros, alcalde de Ferrol

Desde a passada segunda-feira, conseguimos, com a apresentaçom desta moçom, que o que alguns consideram um tema “nom prioritário” se debata na rua, nos centros de trabalho, nos bares, nas redes sociais, nos meios de comunicaçom e nos gabinetes políticos.

Chegamos aqui com umha boa parte das cartas em cima da mesa, tal e como nos figérom saber os distintos partidos representados neste pleno municipal através dos meios de comunicaçom.

O Partido Popular manifestou em boca da sua porta-voz Martina Aneiros que gostaria de que no pleno se tratassem assuntos mais relevantes para a cidade que este. É bem curioso que a porta-voz popular declare isto referindo-se à modificaçom do nome dumha praça, quando apenas há um mês se somava ao pelotom de fusilamento do alcalde Jorge Suárez, pola falsa polémica criada a partir da petiçom dumha rua para o vizinho de Las Rozas assassinado em Londres polo terrorismo yihadista. Terrorismo financiado polos regimes feudais da Arábia Saudita e Qatar, os mesmos com os quais o atual regime espanhol mantém magníficas relaçons.

Terá, entom, que explicar-nos a senhora Martina Aneiros qual é o critério para escolher o que é relevante ou nom o é. Nom questionamos a valentia de Inácio Echevarria, como tampouco questionamos a valentia de todas e todos aqueles ferrolanos assassinados polo franquismo, esse franquismo que o Partido Popular se nega umha e outra vez a condenar. Pois bem, foi precisamente a ditadura franquista a que decidiu de maneira arbitrária suprimir o nome tradicional da Porta Nova.Diga-nos, Senhora Aneiros, seria mais relevante umha moçom solicitando umha medalha para a Virgem de Chamorro, tal e como propujo o seu partido político em Ponte Vedra?

A nomenclatura das cidades é competência do pleno municipal, e é aqui onde deve debater-se.

É certo que há muitas questons urgentes na nossa cidade, umha cidade que se desangra demograficamente, que tem umhas percentagens brutais de desemprego... mas estas questons nom vam melhorar porque se mantenha o nome ilegítimo da Praça de Espanha.

Nom sabemos que votara hoje o PSOE, mas as palavras da Senhora Sestayo à imprensa adiantam-nos a pouca disponibilidade para levar avante esta proposta democrática, antifascista e galega, que entre outros honra a todos e todas as socialistas assassinados na nossa cidade polo criminal regime franquista.

Confiamos em que pola memória de Xaime Quintanilha, López Bouça, Maria Abelha, Milagros Nidáguila ou Matías Usero, votem a favor de esta iniciativa.

Senhora Masafret, fala você de provocaçom. Você?!? Temos que lembrar-lhe qual foi a sua primeira proposta neste Concelho? Equivoca- se ao afirmar que temos fobia a todo o que leve a palavra Espanha. Se o problema é que querem umha Praça de Espanha, proponham outra localizaçom. O que nós solicitamos hoje aqui é que nom esteja na Porta Nova, usurpando o nome que o nosso povo deu a esse lugar.

E nom, senhora Masafret, nom queremos voltar ao século XIX, talvez o seu partido sim gostasse de voltar aos Séculos Obscuros e acabar dumha vez com qualquer vestígio do galego.Às seis da tarde do dia 14 de setembro de 1953, o general golpista Francisco Franco Baamonde inaugurava a “Plaza de España” na sua cidade natal, com a presença, entre outros, de vários ministros, o alcalde franquista José Manuel Alcántara Rocafort e outras forças vivas chegadas de diferentes pontos da Galiza e do Estado espanhol, num ato de exaltaçom do regime. Assim o recolhem as crónicas da época, que podem ser consultadas nas hemerotecas.

Ainda nos dias de hoje, e incumprindo aliás a Lei de Memória Histórica, numha das esquinas da praça esta presente umha placa que lembra este facto com a legenda “Bajo la égida de nuestro caudillo se inauguró la obra de esta plaza del nuevo Ferrol”.

Desta maneira, um governo ilegítimo saído dum golpe militar que assassinou entre 1936 e 1939 mais de 3.000 galegas e galegos (cumpre lembrar que na Galiza nom houvo frente bélica) substituía um topónimo com 142 anos de história.

Até 1953, a mal chamada ainda hoje “Praça de Espanha” era conhecida popularmente como Porta Nova, desde que em 1811 se acrescentava umha nova entrada de acesso à cidade departamental na muralha defensiva.

Esta Porta Nova comunicava diretamente o bairro da Madalena com a Estrada de Castela.

Como afirmamos, foi um governo ilegítimo de um regime ilegítimo que realizou essa substituiçom arbitrária. Ainda assim, há ainda vizinhos e vizinhas de certa idade que na nossa cidade lembram perfeitamente o nome originário da praça, junto às expressons “de portas afora” ou “de portas adentro”.Queremos lembrar também que outras cidades galegas em que acontecêrom factos semelhantes, como Compostela e Lugo, recuperárom os nomes tradicionais para as praças correspondentes, retirando o nome de “Plaza de España” imposto pola ditadura franquista. Referimo-nos, no caso da capital galega, à praça do Obradoiro, e no caso de Lugo, a praça Maior.

Parece-nos umha grave irresponsabilidade desviar o sentido desta proposta para supostas incitaçons ao ódio contra ninguém. Ódio é sabotar murais dedicados a pessoas fusiladas polo fascismo como o ferrolano Camilo Diaz Valinho, como sucedeu estes dias no na fachada do nosso Centro Social; ódio é apresentar moçons contra o galego numha cidade em que, devido às nefastas políticas lingüísticas aplicadas até hoje, o galego é cada vez menos falado, quando até há umhas décadas era o idioma maioritário. Nom, senhoras e senhores, nom é ódio a Espanha, é amor a Galiza, amor a nossa cidade, e amor à nossa identidade como povo.

Por todo isto, da Fundaçom Artábria achamos que o Pleno Municipal de Ferrol, no exércicio das suas competências, deve fazer valer a Lei de Memória Histórica no seu artigo 15 e caminhar cara a recuperaçom dos nossos sinais de identidade colectiva, recuperando o nome tradicional da Porta Nova, rejeitando a permanencia do nome imposto polo franquismo (Plaza de España).

Para finalizar, só fica afirmarmos que para nós já foi um êxito que este debate chegasse hoje a este Pleno. No caso de nom ser aprovada esta moçom, assumiremos o resultado, mas também dizer que voltaremos atentá-lo e estamos certos de que Ferrol, igual que antes Lugo, Compostela e outras cidades, recuperará os nomes tradicionais ilegitimamente usurpados polo franquismo.

Quem sabe se numha segunda tentativa nom conseguiremos, como aconteceu em aquel pleno de 1982 com a proposta do socialista Quintanilha, que Ferrol recupere a sua Porta Nova como daquela abandonou o insultante apelido de “del caudillo”.

Muito obrigado!

Ferrol, 29 de junho de 2017

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Enviado por:
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29 de junho de 2017 18:25

Encaminhamos avaliaçom da moçom municipal pola recuperaçom da ‘Porta Nova’. | Anexamos a intervençom do nosso companheiro Bruno Lopes Teixeiro no Pleno Municipal e duas imagens de hemeroteca ao respeito do nome da atual Praça de Espanha.

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